Tá bom, vai, eu não resisto.
Na primeira vez que coloquei os pés naquele lugar, ele me chamou a atenção. Não tinha a altura que costuma me atrair, mas um rosto lindo, olhinhos miúdos, quase puxados, cabelo preto, bem curtinho, como eu gosto. Uma beleza comum, mas que me chamou a atenção. Trocamos VÁRIOS olhares o tempo em que eu fiquei lá. E pensei até em flertar com ele. Mas eu teria outras oportunidades, já que voltaria. Na outra vez, me arrumei toda, na esperança de encontra-lo novamente. Encontrei, porém levei um tombo: estava com a mulher e a filha! E a troca de olhares não aconteceu novamente. Coloquei-me no meu lugar e não fiz absolutamente nada.
O reencontrei várias vezes e achei estranho o fato de ele saber meu nome. Apesar disso não comentei com ninguém, afinal, ninguém podia saber que eu tinha me interessado. Não dava. Eu não consigo conceber uma coisa dessas! Não faça com os outros o que não quer que façam com você. E eu não fiz, logo, não devia tratar do assunto com sendo grande coisa.
Algum tempo depois da minha cirurgia, ele puxou assunto. Disse que era professor de educação física e que podia me dar algumas dicas de alimentação e, se eu tivesse interesse, me daria seu telefone para, quem sabe, ser meu personal trainer. Nova surpresa: como ele sabia da minha cirurgia? Falava com alguém sobre mim! Fiquei tão assustada que não soube responder, disse que iria pensar e o procurava no próximo toque. No próximo toque, claro que fingi que não era comigo e nem falei com ele. O medo era maior que a vontade. Aí, minha prima, que tinha mais contato com ele solta a bomba: "Olha, você vai ter que me prometer que NINGUÉM vai saber que eu te disse isso, mas o XXXXXXX está DOIDO pra ser seu personal trainer porque ele tá apaixonado por você!" Tomei outro susto, dessa vez, não consegui disfarçar e contei pra minha prima que realmente havia o achado bonitinho, tal, contei sobre os olhares, mas que não podia passar disso, pois sabia que ele era casado. A prima semeadora da discórdia diz: "Ele disse que faria QUALQUER coisa pra ficar com você". Ahá, então é você que fica passando informações sobre a minha vida pra ele??? "Não, ele vaio falar comigo, porque soube que eu era sua prima". Ok, isso já está me irritando. Novo toque, nova conversa, desta vez, na lata: E aí, pensou na minha proposta? Vai treinar comigo, ou não? Gaguejei e então consegui pensar numa desculpa, disse que estava sem grana e que não podia pensar nisso agora. Mas língua não coube na boca e continuei: conversamos mais pra frente, eu tenho interesse sim!
E agora, toda chance que o mocinho tem de puxar assunto, chega mais perto. No sábado passado, a gota d´água: Estou entrando na casa do pai de santo e dou de cara com ele se trocando! Dei meia volta pedindo desculpas e ele retruca: pode entrar, só estou sem camisa, não estou pelado... Então entrei para pegar minha mochila, ele me medindo de cima abaixo pergunta: você não vai se trocar? Respondo: Vou sim, mas não aqui, engraçadinho... Ainda pude ouvir o suspiro dele quando saiu da sala...
Até que ponto eu tenho que segurar a minha onda??? Se eu que não tenho nada a perder tô na minha, porque ele não pode ficar na dele???
Seria muito mais fácil se ele não fosse gostosinho...